Publicado por: Elisandra Borba | 29 Outubro, 2009

As receitas que devo

Este blog não mudou de foco, apesar de blogs de receita serem mais rentáveis…

Mas gosto de cozinhar. E sem falsa modéstia, cozinho muito bem. Algumas vezes amigos pediram algumas das minhas receitas tradicionais e sempre esqueço de passar. Por isso, vou aproveitar este espaço e passar as duas receitas que lembro de ter ficado devendo…

Para começar…

Sonhos!

Ingredientes: 3 3/4 de xícara de farinha de trigo peneirada  – 1/3 de xícara de açúcar   -   1/3 de xícara de manteiga  – 1/2 xícara de água morna  – 1/2 xícara de leite  -   1 colher (chá) sal  – 3 gemas  – 2 tabletes de fermento biológico fresco (eu uso um saquinho de fermento em pó)

Preparo: Em uma panela, aqueça o leite até o ponto de fervura. Retire do fogo e adicione o açúcar, o sal e a manteiga. Mexa até amornar e a manteiga derreter. Na bacia da batedeira dissolva o fermento na água morna.

Na batedeira, bata por dois minutos as gemas, duas xícaras de farinha, a mistura de leite e o fermento dissolvido. Desligue e vá acrescentando aos poucos o restante da farinha, mexendo até obter uma massa homogênea. Cubra com um pano e deixe crescer por uma hora.

Sove a massa rapidamente para que fique lisa. Faça bola e frite. Depois é só rechear com o que desejar.

Leia Mais…

Publicado por: Elisandra Borba | 22 Setembro, 2009

Os Zecas da vida real

Aluno risca parede de escola recém pintada e professora paga o pato. Acho que essa deveria ser a manchete da matéria publicada em ZH.

Segundo a matéria, a escola fez um mutirão para pintar o prédio. Salas limpas, pintadas, arrumadas. Não é sempre que vimos isso em escolas públicas, mas com a colaboração da comunidade, a Escola Estadual de Ensino Médio Barão de Lucena ganhou nova cara.

Mas, como sabemos, tem sempre um engraçadinho que quer ser o popular da turma e para isso não se importa em prejudicar os demais. E sabe por quê? Porque sabem que estão amparados por leis tolas e pais negligentes.

Depois de riscar seu nome na parede da sala de aula, a professora o fez limpar e pintar os locais danificados. Enquanto o guri pintava, a professora passou um sermão em todos da turma. E disse que a atitude do garoto era de bobo da corte, já que estava fazendo palhaçada. Ora, se uma pessoa se dispõe a fazer gracinha na frente da turma, para mim é de fato um bobo da corte. Não achei pejorativo ou de má fé.

O negócio é que os pais ficaram furiosos porque o Zequinha deles foi humilhado. Achei o fim. Agora a professora corre o risco de responder processo por zelar pelo patrimônio dos alunos.

Fiquei revoltada!

Confiram a matéria toda aqui, assistam ao vídeo e me digam o que acham. Estou errada em querer colocar o piá ajoelhado no milho?

Publicado por: Elisandra Borba | 15 Setembro, 2009

Patrick Swayze

Fiquei deveras triste ao saber na morte de Patrick Swayze. Passei a infância toda tentando repetir os passos de Dirty Dancing e continuo a assistir o filme cada vez que passa em um canal de televisão.

Sim, já falo com os personagens, sei cada passo que deram, mas não me canso de ver a coreografia de The Time of My Life.

Por isso, presto aqui minha singela homenagem a um ídolo.

Publicado por: Elisandra Borba | 1 Setembro, 2009

Jogo de Damas

Já falei aqui alguma(s) vez (s) sobre o outo blog que faço parte. Pois é. Hoje ele está completando um ano no ar.

Tenho bastante orgulho dele, ja que o divido com três amigas hiper inteligentes e queridíssimas, que amo muito.

Gostaria de convidar quem ainda não o conhece para dar uma passadinha por lá, aproveitando esta data especial.

http://blogjogodedamas.blogspot.com/

damas

Publicado por: Elisandra Borba | 27 Agosto, 2009

Tempos difíceis…

Comecei a fazer meu Trabalho de Conclusão de Curso, o tão temido TCC. Pensei em usá-lo como desculpa para não postar com tanta frequência aqui, mas eu já não postava assiduamente mesmo, então vai continuar a mesma coisa.

Esta é a época em que amigos e familiares tornam-se ainda mais importantes. Nessa hora que a gente conhece quem realmente se importa… (isso foi uma ameaça)

São eles que vão ter que ouvir NÃO aos convites,  mesmo que seja só um chá no sábado à tarde. Eles que terão de levar esporro de graça, só porque não consegui encontrar um livro na biblioteca ou não terminei o capítulo que faltava. De antemão já peço desculpas e explico que sei que não é culpa de vocês, mas meus nervos estarão à flor da pele que parece que a TPM está durando 28 dias por mês.

Quem nunca me viu chorando, agora verá… uma vez ou outra ou talvez todos os dias, mas verá.

Não que seja impossível fazer um TCC. Mas fazer um trabalho desses com mais quatro disciplinas exigentes, mais um emprego (que em breve trocarei e ainda não sei como será o novo), mais família, amigos e outras atividades que não há como desvincular-se… Ai, ai.

Hoje decidi que vou viver um dia de cada vez e ver no que vai dar. Por enquanto, sei que preciso ler 50 páginas por dia do livro base do meu trabalho. Até agora estou cumprindo a meta. Além disso, preciso encontrar outros elementos que também serão utilizados. Estes, ainda não consegui…

No mais, peço desculpas novamente se magoarei alguém. Mas estou em fase inimputável.

Publicado por: Elisandra Borba | 13 Agosto, 2009

Jornalismo isento?

Depois de ter o indiciamento do bispo Edir Macedo por lavagem de dinheiro noticiado pela TV Globo, a Record contra-ataca questionando a isenção da emissora em diversos casos, como por exemplo, o debate presidencial de 1989 entre Lula e Collor.

Que as duas emissoras devem ter muito que explicar, não duvido. O problema é o papelão que os jornalistas precisam fazer para defender os interesses privados. Segue trecho do Código de Ética dos Jornalistas brasileiros:

Art. 2º Como o acesso à informação de relevante interesse público é um direito fundamental, os jornalistas não podem admitir que ele seja impedido por nenhum tipo de interesse, razão por que:
I – a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente da linha política de seus proprietários e/ou diretores ou da natureza econômica de suas empresas;

Como trabalhar m um local que te peça para defender aquilo que não acredita? No jornal Correio do Povo de hoje há uma matéria explicando o fato e uma afirmação: “As doações financeiras, espontâneas, têm origem legal”. Como o jornalista tem tanta certeza disso? Será que ele tem certeza ou foi pressionado a escrever isso? Lembro que não é uma citação de fonte que há no texto, mas sim parte da matéria. Uma frase direta em com ponto final.

No final do ano que vem recebo meu diploma de jornalista. Agora ele não é mais fundamental para o exercício da profissão, mas como boa estudante, acredito que é o diferencial. Mas nessas horas me pergunto: Será que poderei exercer plenamente aquilo que aprendi ser o correto? Ou terei que me submeter aos caprichos e interesses de um grupo que quer única e exclusivamente dinheiro?

Deixo claro que não tenho a visão utópica de que os veículos de comunicação não se importam com a questão financeira, mas acredito que podemos vender informação de qualidade, sem se submeter a determinadas coisas.

Nesse momento entro em uma crise existencial. Será o jornalismo aquilo que imagino ser? Ou terei de me submeter a coisas que não gostaria?

Uma coisa sei: Se tiver que defender político desonesto ou bispo sem fé, prefiro voltar a ser a secretária sem opinião (já que as boas são as que nada veem ou falam) de uma empresa qualquer.

Apenas um desabafo as sete da manhã.

Publicado por: Elisandra Borba | 14 Julho, 2009

E não tem ninguém…

http://www.forasarney.com/

http://www.forasarney.com/

Meu pai sempre gostou muito de trova. Aquele duelo de versos que em outros lugares do país é chamado de repente. Lembro que brincávamos de fazer trovas. Uma, em especial, nunca esqueci. Acho que por causa da reação de meus pais, que riram muito com a minha “tirada” de criança de cerca de quatro ou cinco anos.

Não lembro da frase que preparou o verso, mas lembro muito bem da que concluiu: “E não tem ninguém na casa do Sarney”. Na época, o atual presidente do Senado era o Presidente da República.

Acho que eu estava errada. Estamos sabendo hoje que a família de Sarney é imensa e ele é do tipo que não deixa ninguém desamparado. Se como presidente do senado tem se mostrado solidário com parentes, funcionários e afins, imaginemos como o mesmo os tratava enquanto gerenciava um país pós Ditadura Militar, com índices de inflação sem precedentes e principalmente sem o acesso à informação que temos hoje.

Talvez meu verso infantil tivesse a pretensão de dizer que estávamos desamparados ou que a casa do presidente não tinha boa representação. Não sei exatamente, mas penso que já nesta época eu traçava minha sina. Não de trovadora, que essa não levei jeito, mas de jornalista que pretende estar sempre de olho nas casas, vazias ou não, de nossos governantes.

sarney-blog

Decidi escrever algo no blog e não sabia sobre o que escreveria hoje. Então surgiu a ideia de falar sobre o Sarney. No final, fui procurar uma imagem e me deparei com essa informação que vem abaixo.

O texto foi completamente extraído do site http://www.forasarney.com/ (uma cópia quase autorizada, já que tem o intuito de contribuir com a causa)

Proteste

PASSEATA VIRTUAL #forasarney

Quarta-feira, dia 15, das 15h às 16h horas,

horário de Brasília:

Local: Em toda a rede mundial de computadores (internet)

Ponto de partida: Seu terminal de computador, telefone celular, PDA, etc, ou seja, qualquer aparelho que possa enviar uma mensagem de e-mail, SMS, Twitter, etc,  direto pro Congresso ou nos endereços diretos dos parlamentares.

Ponto de chegada: Congresso Nacional, através da caixa de mensagens de nossos “representantes” lá. Ou seja, endereços de e-mail, twitters, caixas postais de telefone, etc…

Sarney: sarney@senador.gov.br

Senadores. http://www.senado.gov.br/sf/senadores/senadores_atual.asp

Como vai funcionar: Na quarta, principalmente no intervalo das 15h às 16h horas, você que tem um blog e/ou site na internet deverá estampar, de forma bem visível em seu blog/site, um “banner” ou selo com a mensagem “#forasarney”, conforme abaixo.

Sinta-se à vontade para utilizar o selo, ou para criar novas peças de divulgação do movimento:

Ação direta: no período das 15h às 16h poste em seu Twitter, várias mensagens incluindo o termo #forasarney pedindo a seus seguidores (“followers”) para “retuitá-las”(RT), ou seja, para simplesmente repostá-las com as iniciais “RT” à frente, mantendo sempre a tag #forasarney, visando a multiplicar a mensagem pela rede.

Durante esse mesmo intervalo de horário, envie, também, emails e SMS com a mensagem “Fora Sarney! #forasarney” para os nossos Senadores. http://www.senado.gov.br/sf/senadores/senadores_atual.asp ou no http://br.geocities.com/iprecarga/wwwsenadores.htm

Sarney: sarney@senador.gov.br

Publicado por: Elisandra Borba | 25 Junho, 2009

Racismo e futebol

Sem me estender muito, quero dar a minha opinião sobre o acontecido de ontem no jogo entre Grêmio e Cruzeiro.

Para quem não acompanhou, segundo jogador do Cruzeiro, Elicarlos, após uma dividida com Maxi López, jogador do Grêmio, este teria chamado o cruzeirense de Macaco.

Sou gremista deste o nascimento, na verdade, isso é mais herança que escolha, mas gosto de ser gremista. O problema é que não da para aceitar atitude preconceituosa vinda de ninguém. Ouvi algumas pessoas dizendo que foi no clima quente do jogo que isso aconteceu e o jogador do Grêmio não tinha a intenção e coisa e tal…

O problema é que o momento dramático não cria preconceitos. Se o jogador nao ao racismorealmente teve esse tom pejorativo para cima do outro, ele deveria ser preso sim. Esse racismo é algo que está dentro dele e apenas foi manifestado no momento de raiva. Não é esfriando os ânimos que isso se resolverá.

Não podemos aceitar o preconceito como se fosse uma atitude normal. Se o jogador errou, precisa ser julgado por isso.

“QUANDO DUAS MÃOS SE ENCONTRAM, REFLETE NO CHÃO A SOMBRA DA MESMA COR.” (desculpe, não tenho referências sobre essa frase. Algumas pessoas atribuem a Tony Tornado)

Publicado por: Elisandra Borba | 20 Junho, 2009

Alunos do Prouni também pensam

Sábado de manhã, plantão na Rádio, entre bocejos e coçadas no olho abro meu e-mail. Na caixa, chamou a atenção um e-mail enviado pelo MEC (Ministério da Educação): Parabéns alunos do Prouni. Bom, vou ler, vai ver é aniversário do projeto ou quem sabe ganhamos mais algum benefício… No corpo uma breve explicação para o link que seguia.

O que aconteceu, para sermos felicitados, é que os bolsistas obtiveram notas iguais ou superiores na avaliação do Enad. Nas matérias publicadas nos veículos de comunicação, material disponível no link enviado pelo Ministério, o tema central era o alívio das instituições de ensino superior causado pela divulgação dessa avaliação. As universidades  temiam “diminuir o brilho acadêmico” com ingresso de pessoas de baixa renda nas instituições.

Estou um pouco chocada, um pouco raivosa, um pouco irritada. Como assim? Não somos somente de uma classe social inferior, temos também uma capacidade intelectual diminuída. Por que eu tendo estudado em escola pública sou menos inteligente que os alunos das escolas privadas?

O que nos diferencia é a qualidade do ensino. Isso sim. Mas não a minha capacidade de aprender e de raciocinar. Não se deve confundir essas duas coisas. Não é porque não li A Moreninha que não tenho condições de interpretar Sócrates. Não é porque ficávamos três meses sem professor de geografia que não consigo aprender cartografia atualmente.

Além do mais, vamos comparar as provas de vestibulares de faculdades privadas com provas do Enem? Não é nenhuma novidade que as universidades privadas fazem vestibulares com critérios mínimos. Basta ter dinheiro para pagar a matrícula que o brilhante aluno de escola privada conseguirá uma vaga. De todo o meu círculo de amigos e conhecidos (que não é pequeno), não conheço um que não tenha passado num vestibular desses. Tem um que até ficou de suplente, mas foi chamado e se forma no próximo mês.

Olha o que foi divulgado na Folha de São Paulo: “O sociólogo Simon Schwartzman, presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, sugere duas hipóteses. A primeira é que isto indicaria que os bolsistas têm nível socioeconômico superior ao de seus colegas, o que mostraria que a focalização do programa não está sendo eficiente. A segunda é que, como há uma nota mínima no Enem para pleitear a bolsa, ficam de fora os alunos de nível menor, que ingressariam, sem ProUni, em cursos menos disputados”.

O nobre sociólogo acredita que: ou é fraude e a gente pode pagar sim a universidade (no meu caso com renda familiar de 550,00, levando em conta que cada disciplina custa 200,00 – poderia fazer duas por semestre, me formaria em 20 anos e não comeria, me vestiria, além de ter que ir a pé de Alvorada para São Leopoldo. Acho que é bem viável…), ou que os realmente pobres e sem cultura estão fora e só entra a “alta sociedade da classe baixa”. Uau! Eu sou da nata dos pobres!

Algumas considerações a respeito do motivo pelo qual um bolsista sempre terá nota maior ou igual a um pagante:

- Muitos (e não todos) dos pagantes estão na faculdade apenas por obediência aos pais que pagam (caro) para formar os filhos que não estão nem aí para o mundo e passam o tempo todo, ou conversando na aula e atrapalhando quem quer assistir, ou no barzinho do lado de fora do campus tomando cerveja, já que dentro dele é proibida a venda.

- Um bolsista precisa ter aprovação de no mínimo 75% das disciplinas cursadas no semestre e jamais vai arriscar perder a bolsa. Por isso, estuda a noite, depois de um dia inteiro de trabalho e chega na aula com os exercícios prontos e os textos lidos. Nos finais de semana cancela qualquer diversão porque tem uma resenha de cinco páginas para fazer sobre um livro de 500.

- O bolsista sabe que essa é uma das poucas oportunidades de ser alguém na vida e não vai deixar escapar a chance.

Então para essas pessoas preconceituosas, que não acreditam na capacidade intelectual da classe pobre brasileira, apresento meu blog, apresento meu currículo – construído com muito esforço e determinação e apresento minha situação curricular com todas as disciplinas aprovadas e sem necessidade de recuperar nenhuma nota nestes quatro anos.

Publicado por: Elisandra Borba | 19 Junho, 2009

Ética e verdade? para quê?

Custei a me manifestar aqui sobre a decisão do STF em derrubar o obrigatoriedade do diploma porque tinha apenas mais do mesmo para dizer. A propósito, não vou discorrer sobre minha opinião ou minha indignação. Vou apenas lançar algumas questões que me faltam ser respondidas:

1- O profissional sem diploma estará interessado em saber quais os códigos deontológicos que regem o jornalismo?

2- As disciplinas de ética, antropologia, história da arte e outras humanísticas não contribuem para formação humana do profissional? Aliás, jornalismo é só técnica ou há subjetividade?

3- Onde ficará a qualidade do material publicado?

Deixou aqui também o código de ética do jornalista brasileiro para reflexão. Será que pessoas sem o mínimo de conhecimento do curso saberão compreendê-lo e principalmente aplicá-lo?

Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros
Capítulo I – Do direito à informação
Art. 1º O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros tem como base o direito fundamental do cidadão à informação, que abrange direito de informar, de ser informado e de ter acesso à informação.
Art. 2º Como o acesso à informação de relevante interesse público é um direito fundamental, os jornalistas não podem admitir que ele seja impedido por nenhum tipo de interesse, razão por que:
I – a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente da linha política de seus proprietários e/ou diretores ou da natureza econômica de suas empresas;
II – a produção e a divulgação da informação devem se pautar pela veracidade dos fatos e ter por finalidade o interesse público;
III – a liberdade de imprensa, direito e pressuposto do exercício do jornalismo, implica compromisso com a responsabilidade social inerente à profissão;
IV – a prestação de informações pelas organizações públicas e privadas, incluindo as não-governamentais, deve ser considerada uma obrigação social;
V – a obstrução direta ou indireta à livre divulgação da informação, a aplicação de censura e a indução à autocensura são delitos contra a sociedade, devendo ser denunciadas à comissão de ética competente, garantido o sigilo do denunciante.
Capítulo II – Da conduta profissional do jornalista
Art. 3º O exercício da profissão de jornalista é uma atividade de natureza social, estando sempre subordinado ao presente Código de Ética.
Art. 4º O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, deve pautar seu trabalho na precisa apuração dos acontecimentos e na sua correta divulgação.
Art. 5º É direito do jornalista resguardar o sigilo da fonte.
Art. 6º É dever do jornalista:
I – opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos;
II – divulgar os fatos e as informações de interesse público;
III – lutar pela liberdade de pensamento e de expressão;
IV – defender o livre exercício da profissão;
V – valorizar, honrar e dignificar a profissão;
VI – não colocar em risco a integridade das fontes e dos profissionais com quem trabalha;
VII – combater e denunciar todas as formas de corrupção, em especial quando exercidas com o objetivo de controlar a informação;
VIII – respeitar o direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão;
IX – respeitar o direito autoral e intelectual do jornalista em todas as suas formas;
X – defender os princípios constitucionais e legais, base do estado democrático de direito;
XI – defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias individuais e coletivas, em especial as das crianças, adolescentes, mulheres, idosos, negros e minorias;
XII – respeitar as entidades representativas e democráticas da categoria;
XIII – denunciar as práticas de assédio moral no trabalho às autoridades e, quando for o caso, à comissão de ética competente;
XIV – combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza.
Art. 7º O jornalista não pode:
I – aceitar ou oferecer trabalho remunerado em desacordo com o piso salarial, a carga horária legal ou tabela fixada por sua entidade de classe, nem contribuir ativa ou passivamente para a precarização das condições de trabalho;
II – submeter-se a diretrizes contrárias à precisa apuração dos acontecimentos e à correta divulgação da informação;
III – impedir a manifestação de opiniões divergentes ou o livre debate de idéias;
IV – expor pessoas ameaçadas, exploradas ou sob risco de vida, sendo vedada a sua identificação, mesmo que parcial, pela voz, traços físicos, indicação de locais de trabalho ou residência, ou quaisquer outros sinais;
V – usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime;
VI – realizar cobertura jornalística para o meio de comunicação em que trabalha sobre organizações públicas, privadas ou não-governamentais, da qual seja assessor, empregado, prestador de serviço ou proprietário, nem utilizar o referido veículo para defender os interesses dessas instituições ou de autoridades a elas relacionadas;
VII – permitir o exercício da profissão por pessoas não-habilitadas;
VIII – assumir a responsabilidade por publicações, imagens e textos de cuja produção não tenha participado;
IX – valer-se da condição de jornalista para obter vantagens pessoais.
Capítulo III – Da responsabilidade profissional do jornalista
Art. 8º O jornalista é responsável por toda a informação que divulga, desde que seu trabalho não tenha sido alterado por terceiros, caso em que a responsabilidade pela alteração será de seu autor.
Art 9º A presunção de inocência é um dos fundamentos da atividade jornalística.
Art. 10. A opinião manifestada em meios de informação deve ser exercida com responsabilidade.
Art. 11. O jornalista não pode divulgar informações:
I – visando o interesse pessoal ou buscando vantagem econômica;
II – de caráter mórbido, sensacionalista ou contrário aos valores humanos, especialmente em cobertura de crimes e acidentes;
III – obtidas de maneira inadequada, por exemplo, com o uso de identidades falsas, câmeras escondidas ou microfones ocultos, salvo em casos de incontestável interesse público e quando esgotadas todas as outras possibilidades de apuração;
Art. 12. O jornalista deve:
I – ressalvadas as especificidades da assessoria de imprensa, ouvir sempre, antes da divulgação dos fatos, o maior número de pessoas e instituições envolvidas em uma cobertura jornalística, principalmente aquelas que são objeto de acusações não suficientemente demonstradas ou verificadas;
II – buscar provas que fundamentem as informações de interesse público;
III – tratar com respeito todas as pessoas mencionadas nas informações que divulgar;
IV – informar claramente à sociedade quando suas matérias tiverem caráter publicitário ou decorrerem de patrocínios ou promoções;
V – rejeitar alterações nas imagens captadas que deturpem a realidade, sempre informando ao público o eventual uso de recursos de fotomontagem, edição de imagem, reconstituição de áudio ou quaisquer outras manipulações;
VI – promover a retificação das informações que se revelem falsas ou inexatas e defender o direito de resposta às pessoas ou organizações envolvidas ou mencionadas em matérias de sua autoria ou por cuja publicação foi o responsável;
VII – defender a soberania nacional em seus aspectos político, econômico, social e cultural;
VIII – preservar a língua e a cultura do Brasil, respeitando a diversidade e as identidades culturais;
IX – manter relações de respeito e solidariedade no ambiente de trabalho;
X – prestar solidariedade aos colegas que sofrem perseguição ou agressão em conseqüência de sua atividade profissional.
Capítulo IV – Das relações profissionais
Art. 13. A cláusula de consciência é um direito do jornalista, podendo o profissional se recusar a executar quaisquer tarefas em desacordo com os princípios deste Código de Ética ou que agridam as suas convicções.
Parágrafo único. Esta disposição não pode ser usada como argumento, motivo ou desculpa para que o jornalista deixe de ouvir pessoas com opiniões divergentes das suas.
Art. 14. O jornalista não deve:
I – acumular funções jornalísticas ou obrigar outro profissional a fazê-lo, quando isso implicar substituição ou supressão de cargos na mesma empresa. Quando, por razões justificadas, vier a exercer mais de uma função na mesma empresa, o jornalista deve receber a remuneração correspondente ao trabalho extra;
II – ameaçar, intimidar ou praticar assédio moral e/ou sexual contra outro profissional, devendo denunciar tais práticas à comissão de ética competente;
III – criar empecilho à legítima e democrática organização da categoria.
Capítulo V – Da aplicação do Código de Ética e disposições finais
Art. 15. As transgressões ao presente Código de Ética serão apuradas, apreciadas e julgadas pelas comissões de ética dos sindicatos e, em segunda instância, pela Comissão Nacional de Ética.
§ 1º As referidas comissões serão constituídas por cinco membros.
§ 2º As comissões de ética são órgãos independentes, eleitas por voto direto, secreto e universal dos jornalistas. Serão escolhidas junto com as direções dos sindicatos e da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), respectivamente. Terão mandatos coincidentes, porém serão votadas em processo separado e não possuirão vínculo com os cargos daquelas diretorias.
§ 3º A Comissão Nacional de Ética será responsável pela elaboração de seu regimento interno e, ouvidos os sindicatos, do regimento interno das comissões de ética dos sindicatos.
Art. 16. Compete à Comissão Nacional de Ética:
I – julgar, em segunda e última instância, os recursos contra decisões de competência das comissões de ética dos sindicatos;
II – tomar iniciativa referente a questões de âmbito nacional que firam a ética jornalística;
III – fazer denúncias públicas sobre casos de desrespeito aos princípios deste Código;
IV – receber representação de competência da primeira instância quando ali houver incompatibilidade ou impedimento legal e em casos especiais definidos no Regimento Interno;
V – processar e julgar, originariamente, denúncias de transgressão ao Código de Ética cometidas por jornalistas integrantes da diretoria e do Conselho Fiscal da FENAJ, da Comissão Nacional de Ética e das comissões de ética dos sindicatos;
VI – recomendar à diretoria da FENAJ o encaminhamento ao Ministério Público dos casos em que a violação ao Código de Ética também possa configurar crime, contravenção ou dano à categoria ou à coletividade.
Art. 17. Os jornalistas que descumprirem o presente Código de Ética estão sujeitos às penalidades de observação, advertência, suspensão e exclusão do quadro social do sindicato e à publicação da decisão da comissão de ética em veículo de ampla circulação.
Parágrafo único – Os não-filiados aos sindicatos de jornalistas estão sujeitos às penalidades de observação, advertência, impedimento temporário e impedimento definitivo de ingresso no quadro social do sindicato e à publicação da decisão da comissão de ética em veículo de ampla circulação.
Art. 18. O exercício da representação de modo abusivo, temerário, de má-fé, com notória intenção de prejudicar o representado, sujeita o autor à advertência pública e às punições previstas neste Código, sem prejuízo da remessa do caso ao Ministério Público.
Art. 19. Qualquer modificação neste Código só poderá ser feita em congresso nacional de jornalistas mediante proposta subscrita por, no mínimo, dez delegações representantes de sindicatos de jornalistas.
Vitória, 04 de agosto de 2007.
Federação Nacional dos Jornalistas

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