Já é de costume que os brasileiros se unam em prol de alguma causa que mereça maior engajamento político ou esclarecimento policial. Os sites de relacionamento, blogs e de compartilhamento de vídeos são as ferramentas que mais têm contribuído para essa interação. Quando o avião da Gol caiu matando 155 pessoas, no dia seguinte à queda já podia se observar dezenas de comunidades no Orkut com milhares de pessoas comentando sobre o assunto e levando palavras de apoio aos familiares. Menos de um ano depois, quando o acidente aconteceu com o avião da TAM que caiu sobre o prédio da TAM Express, a situação se repetiu e novamente as pessoas de uniram para falar do assunto e também para cobrar providências das autoridades. O Caso Isabella Nardoni é mais um desses assuntos de grande repercussão não só no orkut, mas em todos os portais que tratam do caso.
Somente no Orkut, há 710 comunidades diferentes que tem como base o nome da menina. Ao levar em
conta que muitas outras comunidades estão grafadas de forma incorreta e, outras ainda, possuem nomes diferentes, não exatamente Isabella Nardoni, esse número cresce significativamente.
Grande parte dessas pessoas consideram o pai e a madrasta de Isabella como os culpados do crime e caso alguém discorde dessa opinião, a discussão se estende por mais de 300 posts. Tamy Moreira, estudante de Engenharia Elétrica é ainda mais categórica ao responder um post com essa discussão:
-Para vocês os defenderem com tanta convicção devem saber quem são os verdadeiros assassinos. Por que vocês não procuram a polícia e revelam? Eu acho que vocês que defendem marginais tão firmemente, estão querendo APARECER. Virar pop na internet e conseguir 1.000.000 scraps nas custas dos outros. Vagabudo é quem fica dando opinião errada sem nem acompanhar o caso. Se não tem nada o que dizer cala boca, porque o Instituto de Criminalística é composto por pessoas que estudam e não por idiotas.
A situação se repete no portal de compartilhamento de vídeos YouTube. Na pesquisa p
elo nome corretamente grafado de Isabella, são disponibilizados 633 vídeos com homenagens, cronologia dos fatos, matérias que foram exibidas na televisão, ou ainda, o caso mais excêntrico, um clipe musical feito especialmente para o episódio.
Para a Psicóloga Marilda Lipp, o engajamento da sociedade no caso está relacionado à insegurança causada pela possibilidade da instituição considerada intocável e segura – a família – estar envolvida no caso.
“O ser humano tem um voyerismo: gostar de ver, de olhar. O Big Brother, por exemplo, muita gente assiste. Você percebe que há uma atração muito grande em olhar o outro, espiar o que o outro está fazendo. Então, quando o povo clama por mais informação e liga a televisão ou lê os jornais ele está praticando um certo voyerismo. A pessoa olha o que se passa com o outro e sente um grande alívio por aquilo não ser com ela. Não que você queira que aquilo aconteça com o outro, mas porque é um alívio que você não esteja envolvido ali. É igual parar na beira da estrada em um acidente. Por que o povo pára? No fundo, as pessoas têm aquela sensação de “ainda bem que não foi comigo”. Diz Marilda ao site Cosmo On Line.
Os sites de compartilhamento de idéias ou de materiais vêm para dar voz a uma parcela da sociedade que não possui poder político para tomar esse tipo de decisão. E talvez por isso esse tem sido o mecanismo usado por eles para expressar sua opinião sobre o caso.