Sábado de manhã, plantão na Rádio, entre bocejos e coçadas no olho abro meu e-mail. Na caixa, chamou a atenção um e-mail enviado pelo MEC (Ministério da Educação): Parabéns alunos do Prouni. Bom, vou ler, vai ver é aniversário do projeto ou quem sabe ganhamos mais algum benefício… No corpo uma breve explicação para o link que seguia.
O que aconteceu, para sermos felicitados, é que os bolsistas obtiveram notas iguais ou superiores na avaliação do Enad. Nas matérias publicadas nos veículos de comunicação, material disponível no link enviado pelo Ministério, o tema central era o alívio das instituições de ensino superior causado pela divulgação dessa avaliação. As universidades temiam “diminuir o brilho acadêmico” com ingresso de pessoas de baixa renda nas instituições.
Estou um pouco chocada, um pouco raivosa, um pouco irritada. Como assim? Não somos somente de uma classe social inferior, temos também uma capacidade intelectual diminuída. Por que eu tendo estudado em escola pública sou menos inteligente que os alunos das escolas privadas?
O que nos diferencia é a qualidade do ensino. Isso sim. Mas não a minha capacidade de aprender e de raciocinar. Não se deve confundir essas duas coisas. Não é porque não li A Moreninha que não tenho condições de interpretar Sócrates. Não é porque ficávamos três meses sem professor de geografia que não consigo aprender cartografia atualmente.
Além do mais, vamos comparar as provas de vestibulares de faculdades privadas com provas do Enem? Não é nenhuma novidade que as universidades privadas fazem vestibulares com critérios mínimos. Basta ter dinheiro para pagar a matrícula que o brilhante aluno de escola privada conseguirá uma vaga. De todo o meu círculo de amigos e conhecidos (que não é pequeno), não conheço um que não tenha passado num vestibular desses. Tem um que até ficou de suplente, mas foi chamado e se forma no próximo mês.
Olha o que foi divulgado na Folha de São Paulo: “O sociólogo Simon Schwartzman, presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, sugere duas hipóteses. A primeira é que isto indicaria que os bolsistas têm nível socioeconômico superior ao de seus colegas, o que mostraria que a focalização do programa não está sendo eficiente. A segunda é que, como há uma nota mínima no Enem para pleitear a bolsa, ficam de fora os alunos de nível menor, que ingressariam, sem ProUni, em cursos menos disputados”.
O nobre sociólogo acredita que: ou é fraude e a gente pode pagar sim a universidade (no meu caso com renda familiar de 550,00, levando em conta que cada disciplina custa 200,00 – poderia fazer duas por semestre, me formaria em 20 anos e não comeria, me vestiria, além de ter que ir a pé de Alvorada para São Leopoldo. Acho que é bem viável…), ou que os realmente pobres e sem cultura estão fora e só entra a “alta sociedade da classe baixa”. Uau! Eu sou da nata dos pobres!
Algumas considerações a respeito do motivo pelo qual um bolsista sempre terá nota maior ou igual a um pagante:
- Muitos (e não todos) dos pagantes estão na faculdade apenas por obediência aos pais que pagam (caro) para formar os filhos que não estão nem aí para o mundo e passam o tempo todo, ou conversando na aula e atrapalhando quem quer assistir, ou no barzinho do lado de fora do campus tomando cerveja, já que dentro dele é proibida a venda.
- Um bolsista precisa ter aprovação de no mínimo 75% das disciplinas cursadas no semestre e jamais vai arriscar perder a bolsa. Por isso, estuda a noite, depois de um dia inteiro de trabalho e chega na aula com os exercícios prontos e os textos lidos. Nos finais de semana cancela qualquer diversão porque tem uma resenha de cinco páginas para fazer sobre um livro de 500.
- O bolsista sabe que essa é uma das poucas oportunidades de ser alguém na vida e não vai deixar escapar a chance.
Então para essas pessoas preconceituosas, que não acreditam na capacidade intelectual da classe pobre brasileira, apresento meu blog, apresento meu currículo – construído com muito esforço e determinação e apresento minha situação curricular com todas as disciplinas aprovadas e sem necessidade de recuperar nenhuma nota nestes quatro anos.
É por essa e por outras milhares de razões que adiro essa jornalista, Elisandra Borba(não adianta me dizer que ainda não está formada porque, sob minha avaliação, já estás pronta faz tempo). O que poderíamos esperar de um jornaleco que trabalha com pessoas formadas em quaisquer áreas que não o jornalismo? É por isso que não tenho crença no desenvolvimento do país. Quem pode desenvolvê-lo politicamente e economicamente anda desenvolvendo somente a economia da própria família, e quem deveria se ocupar vigiando nossos queridos amigos políticos, de perto, perde tempo com preconceitos, fofocas, novelas, bobagens em geral. O Brasil é o país do futuro(do caos generalizado).
Por: Edinho Lumertz. em 20 Junho, 2009
às 1:42 pm
Esse país é mesmo uma vergonha. Vou me tornar repetitiva usando a tua frase do msn. “O mundo é legal, só está mal frequentado”. Vergonhoso!
Por: Andressa em 22 Junho, 2009
às 7:37 pm